Uma jornada a Wuhan, a cidade punk da China

A Torre do Grou Amarelo. Imagem: WikiCommons
Por Bruno Prado Prates
Wuhan é famosa por muitas coisas. Localizada no centro da China e lar de cerca de 14 milhões de habitantes, a cidade é conhecida por seu clima escaldante, por seus avanços em engenharia de alta tecnologia, por seu legado revolucionário e, como eu viria a descobrir, por seu papel no nascimento da cena punk do país. Reunir todos esses elementos talvez seja um bom exercício para pensar a China como um todo: uma sociedade viva, com uma história inspiradora e conquistas notáveis, mas ainda envolta em uma névoa de julgamentos e mistificações. Como visitante, aprendi que a China, como ensina Wuhan, segue o conselho de uma canção que diz: “Erga a voz em nome da vida” (为了生命呐喊).
Optei por escrever este relato de viagem com “certas teorizações” inspirado, sobretudo, em URSS, um Novo Mundo e O Mundo do Socialismo, de Caio Prado Júnior. Nessas obras, o autor relata duas viagens: uma primeira à União Soviética, na década de 1930, e, posteriormente, à URSS e à China, já nos anos 1960, quando passou inclusive por Wuhan. Ali, viu um “maravilhoso país” sendo construído “para uma vida feliz de todo mundo” e chegou a prever que, “em dez anos, no máximo, a China é o primeiro país do mundo”. Seu notável otimismo refletia o que considerava um “espetacular desenvolvimento nos dez anos de regime socialista, que transformaram por completo a fisionomia do país”. Décadas depois, ainda que com algum atraso, sua aposta parece menos exagerada. A China que encontrei exibe uma fisionomia muito distinta da que Caio Prado conheceu, mas preserva o mesmo dinamismo que tanto o impressionou.
Morei em Wuhan como parte do meu intercâmbio de doutorado, pesquisando cooperação internacional em ciência e tecnologia na Huazhong University of Science and Technology (HUST). Ao entrar no campus, fui imediatamente recebido por incontáveis motos elétricas dispostas a me atropelar, belas paisagens com referências a Confúcio e Laozi e, o mais chamativo de tudo, uma imponente estátua de Mao Zedong. Como pesquisador brasileiro no exterior, tornei-me parte do meu próprio objeto de estudo, decidido a absorver o máximo possível da experiência chinesa.
A localização da universidade foi bem oportuna. Ela está situada no Vale Óptico da China, uma zona de desenvolvimento de alta tecnologia criada em 1988 no contexto das políticas nacionais de Reforma e Abertura. Nas proximidades fica o Lago Leste, um imenso parque público cujas paisagens combinam beleza natural e riqueza cultural por meio de jardins, flores, pássaros, poesia e literatura. Ao lado da universidade, concentra-se um conjunto de bares e espaços de contracultura, incluindo o principal reduto punk da cidade, onde o descontentamento pode ser gritado em voz alta. Morando no dormitório universitário, encontrei-me em um ponto estratégico para observar como essas diferentes facetas da cultura chinesa se articulavam e conviviam.
Foi no Lago Leste que vivi a experiência mais próxima de um carnaval brasileiro na China. Em festivais gratuitos de música, multidões armadas com pistolas d’água transformavam o parque em uma celebração marcada por certa permissão à desordem. Tomando emprestado o nome dessa área cênica, a Zona de Desenvolvimento Tecnológico do Lago Leste surgiu como parte de um esforço nacional para modernizar a economia chinesa, numa alusão que parece associar o desenvolvimento econômico à preservação ambiental e ao lazer da população.
O contexto desse processo de modernização iniciado na década de 1980 é brilhantemente descrito por Isabella Weber em Como a China escapou da terapia de choque. Um aspecto, em particular, chama minha atenção: a Reforma e Abertura foi também um amplo processo de colaboração internacional. Não apenas por ampliar a integração econômica e política da China com o mundo, mas também porque sua própria formulação nasceu do diálogo entre diferentes correntes de pensamento, dentro e fora do país. Weber mostra como as reformas se apoiaram numa combinação singular de economistas ocidentais, experiências latino-americanas (com destaque para o Brasil) e tradições intelectuais chinesas. Quase cinquenta anos depois, Wuhan é uma expressão viva dessa síntese.
A Zona de Desenvolvimento Tecnológico do Lago Leste é hoje mais conhecida como Vale Óptico da China. A área ambiciona se tornar um “Vale Óptico Mundial” até 2035, impulsionando a inovação em áreas como IA, robótica e tecnologia quântica, ao mesmo tempo em que atrai parceiros internacionais e recruta talentos do mundo todo. Pude vivenciar alguns desses avanços de perto, incluindo um passeio de carro autônomo (sem motorista) operado pela gigante de tecnologia Baidu, que escolheu Wuhan como laboratório e integrou esses veículos ao cotidiano urbano.
O carro era visivelmente mais limpo e a viagem pareceu mais segura do que em um serviço convencional de transporte por aplicativo. Por meio de uma tela, os passageiros podem ajustar o ar-condicionado e escolher a trilha sonora da viagem. Minha amiga local escolheu “Chinese Blues”, uma releitura contemporânea de um clássico da cantora e atriz chinesa Rebecca Pan. Por coincidência ou não, a mistura entre a música e o contexto em que ressoava acabou por ilustrar muito bem o rápido desenvolvimento da China, que hoje desafia a dominância tecnológica do Ocidente:
O ritmo pertence a todos.
Seja batendo palmas ou tocando um tambor.
O meu povo encontra o ritmo na pípá (琵琶), que é como uma guitarra.
E o nosso èrhú (二胡) é como um contrabaixo.
No coração do distrito, encontra-se uma ampla área para pedestres chamada Optics Square. Suas ruas são batizadas e decoradas conforme países europeus, reforçando sua imagem como um polo de cultura internacional. O principal marco arquitetônico é uma catedral em estilo gótico inspirada na Duomo di Milano, na Itália. Me chamou a atenção que, no seu interior, funciona uma grande loja da Huawei, onde, em vez de rezar, consumidores buscam religiosamente os mais recentes dispositivos tecnológicos. Onde se esperaria um vitral, vê-se um enorme logotipo da marca. À noite, brilhando em meio a tantas referências ao Ocidente, o nome da empresa se impõe como um símbolo de sucesso tecnológico global. Meu lugar favorito nas proximidades era um KTV, uma das redes de karaokê espalhadas pelo país, onde certa vez me juntei a amigos do Iraque, Irã e França para cantar o clássico mexicano “Bésame mucho”, enquanto um cantor chinês interpretava a canção na tela.
Ao lado da universidade fica um bar punk, tradicional ponto de encontro da contracultura local. Mais do que uma casa de shows, o bar simboliza a posição de Wuhan como um dos berços do punk rock chinês na década de 1990. Na etnografia Punk Culture in Contemporary China, Jian Xiao argumenta que a ligação da cidade com o movimento foi reforçada por seu caráter industrial e pela grande população de trabalhadores marginalizados pelo rápido desenvolvimento urbano. Os músicos de Wuhan deram voz às mesmas frustrações vividas por aqueles que ocupavam a base da sociedade.
Segundo Xiao, a cena punk da cidade é particularmente unida, sustentada por uma rede estreitamente conectada de bandas, donos de lojas e público. Na base dessa coesão está um forte senso de autenticidade, construído em torno da resistência aos valores sociais dominantes e da rejeição consciente às divisões internas, frequentemente associadas às comunidades punk de Beijing. Esse senso de unidade reapareceria várias vezes ao longo da minha jornada.
Dentro do bar, diversos temas são gritados do palco: desigualdade de gênero, mensagens contra a guerra, defesa da diversidade ou, simplesmente, aversão à tequila. A maioria das bandas combina letras em chinês com a sonoridade do punk britânico e estadunidense. A meu ver, essa é uma forma marginalizada de conexão global e absorção de conhecimento. À sua maneira, a cena punk chinesa também permaneceu tributária das políticas de Reforma e Abertura.
Foi uma grande alegria encontrar fãs apaixonados de bandas brasileiras como Sepultura, Sarcófago e Violator, ilustrando que o Brasil também exporta produtos de alto valor. Em Violator na China, Pedro Poney relata a turnê da banda pelo país e observa que a cena local transmite um sentimento de “internacionalismo difuso”: a cultura do rock não teve tempo de evoluir gradualmente, mas foi recebida de uma só vez, como um pacote de referências estrangeiras cujo significado ainda está em processo de assimilação.
A ideia de um “internacionalismo difuso” me remete ao pensamento de Celso Furtado, um dos mais brilhantes cientistas sociais brasileiros, que descreveu o subdesenvolvimento latino-americano em termos semelhantes. Segundo ele, um país cai na armadilha do subdesenvolvimento quando adota tecnologias, estilos de vida e ideologias estrangeiras sem transformar, na mesma medida, suas próprias estruturas sociais. É como receber um grande pacote de rock ocidental sem absorver, gradualmente, toda a riqueza de seus significados, permanecendo dependente da capacidade criativa desenvolvida em outro lugar.
Caminhando pelas ruas de Hankou, um dos distritos de Wuhan, deparei-me com edifícios de inspiração britânica, francesa, alemã, russa e japonesa. Hoje parte da paisagem turística da cidade, essas construções são um legado das Guerras do Ópio, em meados do século XIX, quando a China – outrora uma potência tecnológica – foi violentamente submetida à intervenção estrangeira e a tratados desiguais. A imposição de elementos culturais estrangeiros passou a coexistir com antigas estruturas sociais chinesas, como o poder dinástico e a concentração fundiária, desorganizando-as sem transformá-las em profundidade. Esse, como vimos, é o caminho do subdesenvolvimento.
Hoje é possível afirmar que a China superou essa armadilha e se tornou uma potência em inovação. Parece simbólico que o governo de Wuhan tenha escolhido erguer, na Optics Square, uma arquitetura inspirada em referências estrangeiras. O que antes fora imposto por potências externas pode, agora, ser apropriado em termos soberanos, talvez até mesmo aprimorado. Visto do Brasil, esse contraste parece ilustrativo das tarefas que ainda temos pela frente.
O espírito punk de Wuhan ecoa uma história de revolta muito mais antiga, que ajuda a explicar como a China escapou da armadilha do subdesenvolvimento. Como canta um punk local: “O primeiro tiro do Levante de Wuchang foi disparado aqui, e o nome de Sun Yat-sen permanecerá para sempre em meu coração”. Em 1911, a China encontrava-se submetida aos tratados desiguais, enquanto a decadente dinastia Qing se mostrava incapaz de promover as reformas econômicas de que o país necessitava. Em Wuhan, a oposição ao governo intensificou-se quando este decidiu transferir o controle das ferrovias nacionais para interesses estrangeiros. O resultado foi uma insurreição armada no que hoje é o distrito de Wuchang.
O levante foi vitorioso. Wuchang tornou-se a sede do primeiro governo republicano da China, e seu exemplo rapidamente se espalhou pelo restante do país, inaugurando a Revolução Xinhai. Esta derrubou a última dinastia imperial chinesa e estabeleceu a República da China, sob a liderança de Sun Yat-sen. Mais de um século depois, os vestígios dessa história continuam espalhados pela cidade. Na busca por bons bolinhos chineses, acabei encontrando a Rua Pengliuyang, batizada em homenagem a Peng Chufan, Liu Fuji e Yang Hongsheng, mártires da insurreição retratados em uma bela estátua nas proximidades.
O mapa turístico de Wuhan conduz o visitante cada vez mais fundo na história de lutas populares da cidade. A trajetória do Levante de Wuchang é apresentada em detalhes no Museu da Revolução Xinhai, um conjunto arquitetônico que inclui o antigo palácio presidencial, onde foi organizada a primeira experiência republicana da China. Não muito longe dali fica o Museu da Revolução de Wuhan, outro amplo complexo que reúne diversos marcos da história revolucionária ao redor de um agradável parque público. Ali, tios e tias – como são carinhosamente chamados os chineses mais velhos – fazem uma pausa, jogam cartas e aproveitam a tarde. O lugar integra, com naturalidade, o lazer cotidiano à memória política.
Ali aprendi que o próprio nome Wuhan também é fruto de lutas. A denominação foi oficialmente adotada em 1927 para unificar três cidades até então separadas – Wuchang, Hankou e Hanyang – no contexto da aliança entre Nacionalistas (KMT) e Comunistas (PCCh), que assumiram o controle da região durante a campanha pela unificação do país. Wuhan tornou-se novamente a sede do Governo Nacional da China, papel que voltaria a desempenhar temporariamente durante a invasão japonesa. Em certo sentido, Wuhan nasceu da unidade, reunindo diferentes cidades e forças políticas em torno de um projeto nacional comum.
Um dos lugares mais importantes nos arredores do parque é a antiga residência de Mao Zedong, onde viveu ao lado de grande parte da liderança do Partido Comunista da China durante esse período turbulento. Mao captou a incerteza daqueles anos em seu poema “Torre do Grou Amarelo”, cujo título faz referência ao monumento que hoje é o principal cartão-postal de Wuhan:
O grou amarelo partiu, quem sabe para onde?
Resta apenas esta torre para os viajantes.
Ofereço meu vinho às águas impetuosas,
A maré do meu coração cresce com as ondas.
A Torre do Grou Amarelo remonta ao período dos Três Reinos e, ao longo dos séculos, inspirou inúmeros poetas. No entanto, a antiga torre evocada por Mao já não existia quando ele escreveu seu poema. Destruída e reconstruída sucessivas vezes, tornou-se ao mesmo tempo um símbolo do caráter transitório do presente – pois “tudo que é sólido se desmancha no ar” – e um testemunho da resiliência do passado. A reconstrução da torre em um novo local reafirmou esse legado. Do seu alto, contemplei o tom melancólico do poema dar lugar à paisagem de uma cidade desenvolvida e em permanente transformação.
O local original da torre ganhou uma nova função em 1957, ao dar lugar à primeira ponte sobre o rio Yangtzé – ou Cháng Jiāng (长江), como é mais conhecido na China. O Yangtzé é o rio mais longo do país e o terceiro mais longo do mundo. Importante via de comércio e transporte, ele atravessa Wuhan, dividindo a cidade em diferentes distritos e moldando sua vida econômica e cultural. À noite, suas margens ganham vida com um espetáculo coordenado de luzes que, no trecho de Wuhan, impressiona pela escala e pela beleza.
Hoje, atravessar o rio tornou-se algo simples, seja por uma das pontes, pelo metrô ou pelos barcos turísticos. No entanto, essa possibilidade é relativamente recente, e a imagem da travessia do Yangtzé evoca momentos de grande importância histórica. Entre eles, destacam-se dois episódios da guerra civil entre Nacionalistas e Comunistas: a travessia de maio de 1935, durante a Longa Marcha, que permitiu ao PCCh evitar o confronto com um KMT militarmente superior; e a célebre Campanha de Travessia do Yangtzé, em abril de 1949, quando os comunistas, agora fortalecidos, cruzaram o rio e libertaram Nanjing, Wuhan e Shanghai do controle nacionalista. Como antecipou o poeta, as ondas seguiram impetuosas.
Após inúmeras tentativas fracassadas, a ponte foi enfim construída por meio da cooperação com a União Soviética, em um dos projetos emblemáticos do Primeiro Plano Quinquenal da China. Ela tornou-se um símbolo de aprendizado tecnológico e cooperação internacional, lançando as bases para o desenvolvimento da engenharia chinesa nas décadas seguintes. Só posso descrever como um trabalho de campo perfeito: observar alegres senhoras chinesas dançando ao som de funk brasileiro logo abaixo da ponte, enquanto meus amigos – orgulhosamente wuhaneses – me contavam como ela recebeu o apelido de “Número Um”.
Para mim, a principal lição dessas histórias está na diversidade dos caminhos que levaram à China de hoje. Wuhan ensina como a antiga Torre do Grou Amarelo pode coexistir com zonas de desenvolvimento de alta tecnologia; como as concessões estrangeiras do “Século da Humilhação” podem conviver com uma catedral inspirada no Ocidente e coroada pelo logotipo da Huawei; como comunistas e nacionalistas, tecnologias ocidentais e soviéticas, tradição e inovação, moldaram a cidade de diferentes maneiras. O que conecta esses elementos são pontes erguidas em meio a conflitos e incerteza. Construída e reconstruída todos os dias, como diz o lema da cidade, Wuhan revela uma China em permanente transformação, sempre maior do que as imagens que dela se fazem no exterior.
Nesse sentido, há algo limitante na forma como muitas análises sobre a China interpretam cada nova política como uma expressão de confucionismo, budismo ou daoismo, como se decisões contemporâneas precisassem sempre ser explicadas por um arcabouço intelectual de mais de 2.500 anos. Essas tradições importam, mas enxergar a China apenas por essa lente é retratá-la como uma civilização congelada no tempo.
Uma caminhada pelos hutongs de Beijing ao lado de uma amiga chinesa, especialista em literatura e grande admiradora de Lu Xun, foi particularmente reveladora nesse debate. Confúcio é o “sábio” da China antiga; talvez Lu Xun seja o da China moderna. Enquanto Confúcio simboliza a tradição dominante, Lu Xun tornou-se conhecido por questioná-la. Em O diário de um louco, de 1918, ele criticou tradições que sobrevivem às condições históricas que um dia as justificaram, usando o canibalismo como metáfora para uma sociedade que, presa ao passado, acaba por consumir a si mesma.
A recusa de Lu Xun em venerar acriticamente a tradição é extraordinariamente semelhante à busca por autenticidade dos punks. Ambos rejeitam fórmulas herdadas em favor da transformação social. Os comunistas, também, buscaram autenticidade ao combinar referências estrangeiras com a realidade chinesa para transformá-la. Da mesma forma, o desenvolvimento econômico eliminou tradições e remodelou a paisagem cultural. Como em um hot pot (火锅), esses ingredientes compartilham o mesmo caldo sem perder suas características próprias. Um vislumbre de quão intensamente viva é essa sociedade: uma mistura fervente, nada homogênea e repleta de contradições.
Depois de algumas lições sobre história e cultura chinesas no bar punk, eu podia caminhar pelas ruas mais seguras que já percorri, comer o macarrão noturno mais barato que já provei – o tradicional règānmiàn, coberto por molho de gergelim – e, por fim, retornar facilmente ao dormitório da universidade em uma moto elétrica disponibilizada por gigantes da tecnologia. A grande estátua de Mao, com um dos braços erguidos, parece saudar essas contradições vivas: a história comunista, as empresas privadas e os punks inconformados, todos compondo juntos a paisagem da cidade.
Enquanto escrevo, muitas pontes continuam sendo construídas. Algumas são feitas de concreto e aço; outras, daquilo que deixei com os amigos: uma camiseta do Sepultura, uma garrafa de cachaça e um bom café de Minas Gerais.
Referências
ARCANJO, Pedro (Poney). Violator na China!: um relato da excursão thrash metal no país mais populoso do mundo. Brasília: Kill Again Press, 2021.
FURTADO, Celso. O mito do desenvolvimento econômico. São Paulo: Ubu Editora, 2024.
LU XUN. O diário de um louco: contos completos. São Paulo: Carambaia, 2026.
PRADO JÚNIOR, Caio. URSS, um Novo Mundo e O Mundo do Socialismo. São Paulo: Boitempo, 2023.
WEBER, Isabella M. Como a China escapou da terapia de choque: o debate da reforma de mercado. São Paulo: Boitempo, 2023.
XIAO, Jian. Punk Culture in Contemporary China. Singapore: Palgrave Macmillan, 2018.
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Bruno Prado Prates é doutorando em Economia pelo Cedeplar/UFMG, onde pesquisa China, inteligência artificial e inovação.
LEITURAS PARA SE APROFUNDAR NO ASSUNTO


URSS, um Novo Mundo e O Mundo do Socialismo, de Caio Prado Júnior
Dois “livros de viagem” singulares que revelam a visão do autor sobre a URSS, de 1930 à “Era do Degelo” em 1960. Uma jornada em seu mundo intelectual e ideário político, explorando a sociedade soviética e reflexões filosóficas sobre liberdade e política.
Como a China escapou da terapia de choque, de Isabella M. Weber
Análise original e fecunda do caminho da China para o sucesso econômico, questionando as teorias convencionais. Explora o papel do controle estatal de preços e destaca a singularidade da abordagem chinesa. Obra premiada que oferece uma perspectiva única sobre o modelo econômico chinês.


China: o socialismo do século XXI, de Elias Jabbour e Alberto Gabriele
Análise crítica e ponderada do socialismo chinês e seu papel como alternativa ao capitalismo. Os autores exploram a ascensão da China e sua complexa relação com o sistema econômico global, destacando seu desenvolvimento econômico e suas contradições.
Poder e socialismo: governança, classes, ciência e projetamento na China, de Elias Jabbour e Roland Boer
Elias Jabbour dá sequência ao debate iniciado em China: o socialismo do século XXI. Lançado em 2021, em parceria com Alberto Gabriele, a obra traz ao leitor uma abordagem materialista, com análise peculiar das relações de propriedade e das ferramentas de planejamento vigentes no país. Já em Poder e socialismo, escrito em parceria com Roland Boer, a dupla aprofunda as questões tratadas no primeiro livro e explora a nova economia chinesa enquanto forma histórica mais avançada de nossos tempos, enfatizando agora aspecto político e a estrutura de governança do país.
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